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Oficina: Escrever a partir da língua do Outro com Maraíza Labanca e Janaina de Paula

Sabemos: só escrevemos porque lemos. E, se recorremos ao pensamento da antropofagia, de Oswald de Andrade, ou à escrita de um autor contemporâneo como Jean-Luc Nancy, lembramos também que só se escreve a partir da língua do Outro. Não para reproduzi-la, mas para alterá-la, torcê-la, refundá-la.

Nesse sentido, propomos três dias de oficina cujas atividades, cada uma à sua maneira, tomem como ponto de partida não a página em branco – aflição de muitos que desejam começar a escrever –, mas a página já ocupada por palavras. Dessa página, portanto, em vez de operar por acréscimo, os participantes das oficinas serão convidados a operar por subtração, desocupação e corte, como certa vez preconizou Leonardo da Vinci a respeito do trabalho do escultor sobre a pedra.

Sabemos: a língua nos foi dada pelo Outro, desde que nascemos; fomos colonizados por ela. Mas é possível que a operação poética cunhe nessa língua que nos foi dada uma outra, singular, que a altera e a abala, que nela faça silêncio.

Assim, cada dia de oficina será dividido em dois momentos:

  1. Leitura e escuta de textos concernentes à prática que será proposta a seguir;
  2. A prática da escrita.

Quando: 23, 24 e 25 de julho das 19h30 às 22h30
Investimento : R$ 180,00

  • 1º dia, 23 de julho, segunda-feira – Escrever por subtração: a experiência do dicionário (Primeiro momento: ler pequenos fragmentos de Freud, Derrida, Nuno Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Herberto Helder. Segundo momento: escolher um verbete de dicionário, destacar a página em que ele se encontra, subtrair da página escolhida as palavras indesejáveis até atingir o poema que resta, irredutível);
  • 2º dia, 24 de julho, terça-feira – A escuta, a trascriação: a experiência com a língua estrangeira (Primeiro momento: ler pequenos fragmentos de Haroldo de Campos, Walter Benjamin e de alguns poemas em língua estrangeira transcriados para o português. Segundo momento: transcriar, isto é, transpor, a partir do sentido material das palavras, poemas em língua estrangeira para o português, sem que seja necessário o domínio pleno da língua de origem);
  • 3º dia, 25 de julho, quarta-feira – Eu te dou a minha palavra: a experiência de reescrever os textos que amamos (Primeiro momento: ler pequenos fragmentos de Jean-Luc Nancy, Marguerite Duras, Juliano Pessanha, Oswald de Andrade. Segundo momento: escolher pequenos fragmentos do livro de cabeceira de cada um, copiá-los, cortá-los, alterá-los, propor sobre eles pequenos enxertos);

Material para os participantes trazerem, se tiverem disponibilidade: caderno, lápis, caneta, borracha, cola, linhas, agulha, papéis de tipos diversos, dicionários velhos, dicionários de língua estrangeira, livro de cabeceira.


Janaina de Paula é escritora, professora, editora e psicanalista. Conduz oficinas de escrita na cas’a’screver, ateliê de literatura e psicanálise em Belo Horizonte, e em outros espaços. Está, há cinco anos, à frente do projeto “Práticas da letra”, voltado para pacientes usuários da saúde mental em Minas Gerais. É doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais e atualmente realiza estágio pós-doutoral na Faculdade de letras da Universidade Federal de Ouro Preto. Edita os livros da Cas’a edições e é autora das obras Tradução e transposição no campo da pulsão de morte (2012), Cor´p´oema Llansol (2016) e do romance O menino azul para sempre (2013).

Maraíza Labanca é poeta, ensaísta e conduz oficinas de escrita no Espaço a’mais – ateliê de escrita, arquitetura e psicanálise dirigido por ela. Ministrou também oficinas de leitura e de escrita em outros espaços, dentro e fora de Belo Horizonte. Trabalha ainda como editora na Cas’a edições – voltada para publicação de livros de poemas, de contos e de ensaios em torno de temas relacionados à filosofia, à psicanálise e às artes em geral. Concluiu o doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2016. Publicou os livros de poemas Refratário (2012 – Prêmio literário de melhor livro de poesia da Região Sudeste pela Livraria Asabeça) e Rés – livro das contaminações (2014).

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